É necessário a instalação do Flash Player para conseguir visualizar correctamente esta página. Clique aqui para mais informação.

PERGUNTAS FREQUENTES

01. O que são térmitas?

As térmitas constituem uma das cerca de 30 ordens dos insectos. Embora se assemelhem a formigas, são mais aparentadas com as baratas, uma vez que evoluíram, há 100 milhões de anos, de um tipo primitivo de barata comedora de madeira, actualmente extinta. Actualmente, são conhecidas três espécies de térmitas nos Açores: a térmita de madeira húmida (Kalotermes flavicollis), a térmita de madeira seca (Cryptotermes brevis) e a térmita subterrânea (Reticulitermes grassei).

A térmita de madeira seca e a térmita de madeira húmida estão a provocar grandes prejuízos nas cidades principais dos Açores (Angra do Heroísmo, Ponta Delgada e Horta).

Prevê-se que, nas próximas décadas, elas se propaguem a outros espaços das Ilhas Terceira, São Miguel e Faial e invadam, igualmente, outras ilhas do Arquipélago.

02. Como podemos identificar a presença de térmitas?

A identificação das térmitas é relativamente difícil, ainda que seja possível detectar a sua presença:

  1. Pelas asas que se acumulam nas janelas e clarabóias durante os meses de Maio a Agosto (períodos de reprodução);
  2. Pelos montículos de dejectos (granulado) que se acumulam nos soalhos, debaixo dos móveis, junto de rodapés, etc.

03. Como podemos confirmar se existem térmitas nas nossas habitações?

Existe uma elevada probabilidade de existência de térmitas em qualquer habitação das cidades de Angra do Heroísmo, Ponta Delgada e Horta, nem que seja apenas num móvel, janela ou rodapé.

Uma vez que o processo de identificação é complexo, deverá contactar a Câmara Municipal da sua área de residência, para que um técnico possa efectuar uma vistoria à habitação.

No caso de serem encontradas térmitas, solicite ao técnico informação sobre o nível de infestação, a fim de poder seleccionar a intervenção mais eficaz.

Como a identificação da térmita de madeira seca é a mais difícil, poderá implicar o envio, por técnicos da câmara municipal, de amostras de partículas fecais e/ou asas para o Grupo de Biodiversidade do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores.

Contactos (clique aqui).

04. Confirmando-se a presença de térmitas, o que devemos fazer?

As medidas a tomar para enfrentar o problema são muito diferentes, consoante o nível de gravidade da infestação.
Em caso de:

  1. Infestação generalizada e muito severa, a única alternativa é a completa substituição das estruturas;
  2. Pequena infestação, pode intervir localmente:
    - utilizando termicidas, XILOFENE, WOCOSEN, para as eliminar;
    - montando armadilhas de luz nos sótãos, entre Maio e Agosto (entre as 17-23h00) e armadilhas de cola que evitem a sua propagação.

05. Como podemos controlar a propagação das térmitas em casa?

Existem várias técnicas relativamente eficazes no controlo da propagação desta praga. A técnica mais eficaz é a utilização de armadilhas de luz que devem ser colocadas a funcionar nos sótãos nos meses de Maio a Agosto. Estima-se que matando os reprodutores se eliminem 25% das populações existentes e se impeça a criação de novas colónias.

06. Qual é a medida de extermínio de térmitas mais eficaz?

A medida internacionalmente considerada mais eficaz no extermínio de térmitas é a FUMIGAÇÃO. No entanto, as regras actualmente em vigor na União Europeia tornam inviável a sua aplicação nos Açores, dado que o intervalo entre habitações é frequentemente menor do que o intervalo de segurança estabelecido (10 m). É necessário proceder à alteração da legislação europeia através dos procedimentos legais adequados.

07. Qual é o grau de sucesso da aplicação de insectidas nas madeiras?

Todos os insecticidas próprios para térmitas testados em laboratório, como o WOCOSEN ou o XILOFENE, são eficazes em pequenas infestações, mas não garantem a exterminação total. Será sempre necessário realizar tratamentos adicionais nos locais onde se continuem a observar montículos de dejectos. Deverá, portanto, acordar-se com a empresa de desinfestação o programa de tratamentos e as modalidades de acompanhamento a efectuar.

Insecticidas domésticos mais comuns para moscas, formigas e baratas podem ser usados contra os alados durante a época de verão.

08. Aplicar termicidas nas madeiras tem consequências negativas para a saúde?

Todos os insecticidas são produtos tóxicos.

Nenhum termicida deve ser aplicado sem serem observadas todas as medidas de segurança, indicadas no rótulo do produto. Quando aplicadas essas medidas, a utilização de insecticidas como o WOCOSEN ou o XILOFENE é considerada dentro dos limites de segurança.

Decorridos alguns dias após a aplicação, podem habitar-se espaços tratados com este tipo de produtos, embora exista sempre uma margem de toxicidade residual.

09. O que devemos fazer se tivermos móveis com térmitas?

A técnica da Bolha revela-se actualmente a medida de extermínio mais promissora. Dado que esta tecnologia ainda não se encontra disponível nos Açores, poderá:

  1. Congelar pequenas peças em arcas congeladoras, durante dois a três dias;
  2. Expor ao sol, durante 7 dias consecutivos, peças maiores envolvidas em sacos de plástico preto.

Estas medidas estão ao dispor de qualquer cidadão dado o baixo custo que envolvem.

10. O que devemos fazer com as madeiras infestadas depois de as remover da habitação?

O Governo Regional dos Açores ainda não criou legislação adequada para lidar com este problema de forma sistemática.

Consequentemente, quem esteja nas ilhas Terceira ou São Miguel deverá depositar as madeiras infestadas no aterro sanitário mais próximo e sugerir que elas sejam enterradas.

Quem estiver na ilha do Faial, onde existem térmitas subterrâneas, deverá queimar toda a madeira infestada após autorização dos Serviços de Ambiente.

11. De que apoios financeiros podemos beneficiar?

O Governo Regional dos Açores criou legislação específica para apoiar a substituição de estruturas e acabamentos em madeira nas habitações das famílias mais carenciadas. O Decreto Legislativo nº 5/2008/A, de 28 de Fevereiro de 2008 veio substituir o anterior decreto nº 20/2005/A, de 22 de Julho de 2005, pela inoperância que este evidenciava na resposta às necessidades concretas da maioria dos agregados familiares afectados.

Desconhecem-se indicadores de eficácia relativos ao novo enquadramento legal.

12. Que madeiras são menos afectadas pelas térmitas?

As térmitas devoram todos os tipos de madeira. Mas as menos afectadas pelas térmitas são as madeiras exóticas mais duras (Maçaranduba, Tacula, Jatobá) ou mesmo o Pinho Resinoso.

Recomenda-se a utilização de madeira pré-tratada em autoclave, com técnicas adequadas, ou, no mínimo, de madeira com um banho de termicida.

Em qualquer obra ou aquisição de equipamento em madeira deve certificar-se do tipo de produto, do seu estado de conservação, dos tratamentos prévios e das garantias que lhe são oferecidas.

13. Como podemos evitar esta infestação?

Há diversas medidas a implementar que podem diminir o risco de infestação da sua habitação.

  1. Se vai construir de novo, poderá evitar usar madeiras nas infra-estruturas do telhado ou só usar madeiras pré-tratadas;
  2. Se habita uma casa de betão, basta ter muita atenção ao estado das peças de mobiliário, arte, livros e outros artefactos que lá introduz e, por outro lado, colocar redes finas nas janelas de inícios de Maio aos finais de Agosto;
  3. Se já habita uma casa com as estruturas em madeira deverá proceder a rastreios técnicos e a aplicações preventivas sazonais de um insecticida no sotão, calafetar frestas e utilizar armadinhas de luz no sotão, bem como colocar redes finas nas janelas de inícios de Maio aos finais de Agosto;
  4. Deverá ainda manter-se informado do estado de infestação das habitações que circundam a sua.

14. O que devemos fazer se tivermos térmitas subterrâneas?

Por agora, só quem viva na cidade da Horta poderá ter este tipo de térmitas em casa. Felizmente existe tecnologia em Portugal para lidar com esta térmita e esperamos que em breve ela possa estar disponível para aplicação na cidade da Horta. Nesta situação, o insecticida mais adequado é o TERMIDOR, que deverá ser injectado no solo.

15. O que devemos fazer se tivermos térmitas de madeira viva?

A presença de térmitas de madeira viva numa habitação é um acontecimento relativamente raro nos Açores mas pode acontecer. A sua presença está associada a humidades, pelo que a melhor forma de soluccionar o problema é primeiro resolver problemas de infiltração de águas. As madeiras afectadas devem ser rapidamente removidas e substituidas por madeiras pré-tratadas.

16. O que é que se tem feito pelo controlo e gestão das térmitas de madeira seca nos Açores?

Foram dados alguns passos significativos no controlo e gestão desta praga nos Açores. Destacam-se, no âmbito:

  1. Da avaliação e peritagem do risco:
    - a identificação das espécies que ocorrem nos Açores e a análise das suas biologia e ecologia;
    - o estudo das estratégias de dispersão dos adultos reprodutores e da eficácia comparativa de diversos tipos de armadilhas para os controlar;
    - a identificação dos tipos de madeira mais vulneráveis à térmita de madeira seca;
    - a avaliação da eficácia de diversas estratégias de baixo custo para eliminar as térmitas em peças de arte e de mobiliário;
  2. Das medidas de controle e extermínio:
    - a identificação de estratégias de extermínio e de controlo da propagação das térmitas, adequadas às zonas afectadas e às espécies em presença;
    - a divulgação e o desenvolvimento local de tecnologia para combater pequenas e médias infestações;
    - a disponibilização no mercado de insecticidas eficazes na eliminação de térmitas;
    - a criação em São Miguel de empresas de desinfestação, habilitadas para lidar com este tipo de problemas;
    - a introdução de tecnologia (i e.Termidor) para combater a térmita subterrânea na Horta;
    - a operacionalização de um modelo para testar a implementação da técnica da fumigação nos Açores;
    - a divulgação pública dos resultados das investigações realizadas nos Açores;
  3. Da prevenção e reconstrução de estruturas afectadas:
    - a disponibilização no mercado de alternativas à madeira para a construção (i.e., estruturas metálicas) e de madeira pré-tratada;
    - a criação de medidas de apoio financeiro para a reconstrução de estruturas afectadas.

Falta, no entanto, implementar um sistema de gestão que permita monitorizar a evolução da infestação e actuar efectivamente no seu controlo.

17. O que ainda está por fazer?

Um balanço das medidas recomendadas, pelo Grupo de Missão nomeado, em 2004, pelo Governo Regional permite constatar que poucas delas foram até ao momentro accionadas de uma forma sistemática. Por outro lado, os resultados de alguns dos estudos relativos à avaliação da extensão do problema, necessitam de ser actualizados.

Voltar ao ínicio da página
AGRADECIMENTOS:
A todos os cidadãos entrevistados no âmbito deste projecto;
A Enésima Mendonça, Nuno Gonçalves, Paulo Cristóvão, Pedro Cardoso e Timothy Myles pelas fotografias cedidas;
A todos os que testaram esta página contribuindo com valiosas sugestões;
À Direcção Regional da Ciência e Tecnologia pelo financiamento do Projecto "TERMIPAR".
drct BioDiversidade Cita
Webdevelopment © Via Oceânica 2008 - Todos os direitos reservados.